quarta-feira, 7 de março de 2012

Lá na casa de Seu Dema



Janeiro de 2012, Litoral Sul da Paraíba. Depois de tantos anos, estou de volta à casa de praia do meu avô, lugar onde toda a família passava as férias de verão. Cantinho da infância e adolescência dos "netos de Seu Dema".

Ao voltar ali, depois de tantos anos, o que mais me chamou atenção foi perceber que as coisas não eram tão grandes. A varanda não era mais infinita. Como cabiam tantas redes? A mesa agora parecia tão pequenininha.... E a sala? Essa não era aquela sala gigantesca que acomodava todos os nossos colchões! Tampouco o filtro e o espelho eram mais tão altos.

Dessa vez fiquei apenas uns 20 minutos. Percorri tudo, tirei umas fotos, dei umas risadas, rolaram umas lágrimas teimosas e deu aquela vontade louca de reviver tudo aquilo, ainda que por meras palavras.
Sei que é preciso encerrar os ciclos e ser receptivo ao que a vida tem para nos dar, e foi com isso em mente que eu fui lá pela última vez. Para me despedir usei os melhores olhos possíveis e, em paz, eu sai. Mas não fechei a porta. Deixei encostadinha para de vez em quando voltar e...

Férias! Acordar bem cedo, encher o saco pra todo mundo se arrumar rápido e finalmente irmos à praia. Quando chegar lá, jogar os chinelos em qualquer canto da areia e correr pro mar. "Papai, me leva pro fundo?" Pegar jacaré, colecionar conchas, brincar de tubarão... Só sair da água quando mamãe ficar cansada de tanto me chamar e ameaçar uma bela surra. Voltar pra casa à força, ir rapidinho pro chuveiro porque o almoço de vovó já tá na mesa (aquela mesa bem grande), depois correr pra pegar a melhor rede e voar beeeem alto! Dar um cochilo, ler um livro da coleção Vaga-lume, jogar Banco Imobiliário (mesmo sem gostar tanto), comer galinhas de açúcar que Dedê trouxe... E brincar, brincar e brincar de novo!! Até adormecer em algum colo e acordar no outro dia ao som das ondas, misteriosamente acomodada num colchão e no meio das outras crianças, pronta pra começar tudo de novo!

Felizes dos que sentem saudades. Sinal que viveram e ainda vivem, sinal que foram e ainda são felizes...

* Aos "netos de Seu Dema" que, tenho certeza, entendem o cheiro, o gosto e o valor de cada palavrinha desse texto. As meus! Que estão aqui dentro, todos os dias da minha vida, onde e como quer que eu esteja. 




A tal casa... a tal saudade!