quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ali, na Bahia - sem entender muita coisa




Depois de um fim de semana em Salvador que, acredite, foi todo debaixo de chuva, eu me vejo dentro de um táxi rumo ao aeroporto, embasbacada com o tamanho do engarrafamento. Eis que Seu Pedro, o taxista, aponta pra fila de carros das 7 e meia da manhã e diz: “Essa hora, Dona Fernanda, nenhum baiano ainda acordou. Podem até estar dirigindo, mas acordados, eles não estão, não”.

E eu que já tinha reconhecido aquele sotaque arrastadinho, tão primo do meu, pergunto: “E o Senhor é de onde?”. E dando uma gargalhada daquelas que saem do estômago, ele responde: “Da Bahia. E mais, da cidade de Caetano Veloso!”.

Gargalhada retribuída, corrida paga, felicitações e agradecimentos feitos. Pouco tempo depois eu já estava com os cintos afivelados, acima das nuvens e abaixo do sol que só saiu naquele último momento. 
E falando em Caetano, ele foi comigo, bem no meu pé do ouvido cantando “você não entende nada”. Entendo mesmo não, Caetano, e nem quero. Porque nessa vida aquilo que não estiver do lado avesso é puro enfeite, laço de fita que nem vai e nem vem. De resto, eu me perco nesses ditos “lados contrários”, sem entender nadinha mas feliz da vida, sendo guiada pelo vento forte das minhas emoções. Vento esse que confesso, levei e trouxe de volta na mala porque “eu quero é correr mundo, correr perigo”.

E foi assim meu fim de semana, e assim é a minha viagem. Com esse clima bem preguiçoso, porque o vento é forte mas a caminhada deve ser lenta. Menos turismo e mais vivência! Sair andando por aí como quem degusta, pra sentir o cheiro do mar, o doce da coca-cola e o amargo do café, sem suita.... Se entregar pra o mundo lá fora e então receber o mundo aqui dentro.